ALTER EGO

Fotografias de António Homem Cardoso

António Homem Cardoso | Fotógrafo, no seu alter ego Motociclista

Qual seria o seu Alter Ego?

A Casa do Artista e a Câmara Municipal de Lisboa promovem a exposição Alter Ego, do Mestre António Homem Cardoso, de 31 de março a 25 de abril nos Paços do Concelho, entre as 10h e as 18h.

Partindo da pergunta — “O que gostaria eu de ser se a vida não me tivesse empurrado para os caminhos ínvios da arte?” — António Homem Cardoso lançou um desafio singular a um vasto conjunto de figuras de referência da cultura portuguesa. O resultado é Alter Ego: uma série de retratos que revelam o “outro eu” de artistas como Simone de Oliveira, Herman José, Manuela Maria, António Vitorino de Almeida, entre muitos outros.

Nesta exposição, o público é convidado a descobrir interpretações inesperadas e intimistas, reveladas com a mestria fotográfica que distingue o autor. Alter Ego representa a concretização de um sonho antigo da Casa do Artista: aproximar a alma dos artistas do olhar do público, mostrando novas formas de imaginar, conhecer e celebrar quem marca a cena artística nacional.
A entrada é livre.

Retratados

ADA DE CASTRO

Estreou-se como fadista profissional no restaurante Faia, a 13 de março de 1960. O seu primeiro disco foi gravado na Emissora Nacional, em 1961, e, desde então, lançou 25 LP, 80 singles e EP, edições e reedições em formato CD e participou em diversas coletâneas. Teve uma breve passagem pelos palcos do teatro de revista, em 1966. Foi também uma das mais carismáticas madrinhas das marchas populares dos principais bairros de Lisboa e, naturalmente, no seu repertório encontram-se interpretações de temas das marchas.

ALEXANDRA LENCASTRE

Considerada uma das figuras mais reconhecidas do palco, do cinema e da televisão em Portugal, iniciou verdadeiramente a carreira de atriz na peça Frei Luís de Sousa, que, na altura, lhe valeu um prémio revelação. Desde então, trabalhou com alguns dos principais encenadores do teatro português, como Carlos Avilez, João Lourenço e José Wallenstein. Começou a trabalhar em televisão na Rua Sésamo, onde acabaria por vir a ser presença assídua, tanto na ficção como no entretenimento. A partir de 1990, a sua carreira cinematográfica decolou, tendo trabalhado com realizadores como João Botelho, João Mário Grilo e Teresa Villaverde, bem como com nomes internacionais como Javier Bardem e John Malkovich.

ANA BOLA

Nascida em Lisboa a 2 de junho de 1952, estreou-se profissionalmente em 1979 no teatro de revista com 1926, Noves Fora Nada. Com duas passagens pelo Festival RTP da Canção, em 1979 e 1981, esta última no coro da música Playback de Carlos Paião, seria, contudo, a sua participação em programas icónicos da televisão portuguesa que a tornaria conhecida do público português. Destes destacam-se o Passeio dos Alegres (1981) e Humor de Perdição (1987), que daria início à sua consagrada colaboração com Herman José. Foi ao seu lado que contracenou em alguns dos maiores êxitos do humor nacional, como Casino Royale (1989) e Parabéns (1992-1996). Entre tantas outras participações emblemáticas, fez também programas de rádio, cinema e teatro.

ANA ZANATTI

Nasceu em Lisboa, em 1949. Ao longo de 54 anos, tem exercido a atividade de atriz no teatro, cinema e televisão, e foi, em simultâneo, durante 26 anos, apresentadora da RTP. Autora e coautora de canções, de programas de rádio e televisão, de documentários e séries, e tradutora de peças de teatro, lançou o seu primeiro romance em 2003. Tem contos e poemas publicados em diversas antologias e colaborou com diversos jornais e revistas. Dedica-se a causas como a Condição Feminina em 1984 foi uma das 25 mulheres escolhidas para representar Portugal, em Bruxelas, pela Comissão da Condição Feminina da CEE, a Defesa dos Direitos LGBT, a Conservação da Natureza e Defesa do Ambiente e a Defesa dos Direitos Humanos e dos Animais. Recebeu os Prémios Rede Ex Aequo, em 2009 e 2012, e o Prémio Arco-Íris, em 2011.

ANITA GUERREIRO

Natural de Lisboa, começou a cantar com tenra idade e, com apenas 16 anos, estreou-se no Teatro Maria Vitória, na revista Ó Zé Aperta o Laço, a que se seguiram dezenas de participações neste género teatral, incluindo nas grandes revistas do Coliseu dos Recreios, como Cidade Maravilhosa (1955) e Fonte Luminosa (1956), e dos teatros do Parque Mayer. Construiu, em paralelo, um prestigiado percurso no mundo do fado, marcado por êxitos como Cheira Bem, Cheira a Lisboa e, nos últimos anos de carreira, participou em algumas séries e telenovelas portuguesas. Em 2004, por ocasião da comemoração dos seus 50 anos de carreira, a Câmara Municipal de Lisboa atribuiu-lhe a Medalha Municipal de Mérito grau ouro.

ANTÓNIO ANTUNES

Nasceu em Vila Franca de Xira, em 1953. Iniciou a sua atividade em 1974, no jornal República, o mesmo ano em que integrou o semanário Expresso como colaborador permanente e onde se mantém até aos dias de hoje. Ao longo da sua carreira tem vindo a acumular distinções um pouco por todo o mundo, entre as quais, o Grande Prémio do XX International Salon of Cartoons, em 1983, o Prix Presse Internationale, em 2010, e, mais recentemente, o Prémio Gazeta de Mérito, em 2018. Realizou já várias exposições individuais em Portugal, no Brasil, Alemanha, Espanha, França, China e Holanda, e integrou diversas antologias, como a The Finest International Political Cartoons of our Time e a Cartoonometer, entre outras. É ainda autor da animação plástica da Estação de Metro do Aeroporto de Lisboa denominada «Figuras de Lisboa» e diretor do World Press Cartoon.

ANTÓNIO CALVÁRIO

Natural de Moçambique, veio para Portugal com 18 anos. Enquanto estudava, participou e ganhou, com a música Regresso, o Festival da Canção Portuguesa, organizado pela Emissora Nacional. Mais tarde, em 1964, sagrar-se-ia vencedor da primeira edição do Festival RTP da Canção com o tema Oração, um dos seus maiores sucessos. Colaborou com outro nome sonante da música dos anos 60, Madalena Iglésias, no tema É tão bom amar, com quem também contracenou no filme Sarilho de Fraldas. A sua incursão no mundo do cinema inclui ainda uma breve participação em Longe da Vista de João Mário Grilo. Nos anos 90, fez uma digressão nacional com vários espetáculos de revista e, no início dos anos 2000, participou em alguns programas televisivos.

ANTÓNIO HOMEM CARDOSO

Nasceu a 11 de janeiro de 1945, em São Pedro do Sul. Iniciou-se profissionalmente como repórter fotográfico e, no início da década de 1970, acabaria por abrir um estúdio em nome próprio, dedicando-se à publicidade, moda e editorial. É autor dos retratos oficiais de inúmeras personalidades portuguesas, criador de catálogos de empresas icónicas portuguesas e responsável pelas imagens de álbuns musicais que marcaram a discografia nacional. É o fotógrafo oficial da Casa Real Portuguesa e embaixador da Fujifilm Portugal, bem como membro de várias organizações no âmbito da fotografia. Em 2023, foi agraciado com a insígnia de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

ANTÓNIO PIRES

Ao longo do seu percurso artístico, tem apresentado trabalhos a convite de várias entidades, sendo, no entanto, no Teatro do Bairro, que ajudou a consolidar, que tem vindo a desenvolver grande parte da sua atividade e onde acumula as funções de Diretor Artístico e Co-Diretor de Programação. Profissional premiado, venceu, em 2012, com o seu espetáculo Tisanas – Um Antídoto Contra o Cinzento dos Dias, o Corvo de Ouro, atribuído pela Time Out Lisboa ao Espetáculo do Ano. Um ano mais tarde, ganharia, com a sua encenação de O Público, de Federico Garcia Lorca, o Globo de Ouro para “Melhor Peça de Teatro”. O seu espetáculo Quatro Santos em Três Actos foi distinguido, em 2015, pela Associação Portuguesa de Críticos de Teatro e levado a cena também em Espanha por ocasião da Feria 2016, em Donostia-San Sebastián, no âmbito da Capital Europeia da Cultura.

ANTÓNIO SALA

Acumulou ao longo dos seus 70 anos de carreira dezenas de milhares de horas de rádio e televisão, e participou em mais de 3000 espetáculos em palcos espalhados por Portugal e pelo mundo. Eleito, em 2007, “A maior figura de sempre da história da Rádio em Portugal” pelos ouvintes do Rádio Clube Português, receberia das mãos do Presidente da República, em 2010, a insígnia do grau de Comendador da Ordem do Mérito e, em 2024, a da Ordem do Infante D. Henrique. Entretanto, em 2017, foi-lhe atribuído o prestigiado Troféu Igrejas Caeiro pela Sociedade Portuguesa de Autores, em parte pelo seu trabalho enquanto produtor, compositor, músico, guionista e realizador. Autor de centenas de artigos e crónicas, e de vários livros, realiza pontualmente conferências e workshops e leciona Comunicação e Ética Comunicacional.

ANTÓNIO VITORINO DE ALMEIDA

Nasceu, em 1940, em Lisboa, onde finalizou, com distinção, o Curso Superior de Piano do Conservatório Nacional. Mais tarde iria para Viena, onde se graduou em Composição. Adaptou para teatro A Relíquia de Eça de Queirós e, em 1980, realizou o filme A Culpa, a primeira longa-metragem portuguesa a vencer um festival de cinema internacional, em Huelva. Escreveu, apresentou e realizou mais de cem documentários culturais para a televisão, foi membro do júri do Concurso de Piano de Moscovo e é, atualmente, Presidente do Sindicato dos Músicos Portugueses. Conta ainda com um trabalho prolífico como escritor, de que se destacam, entre outros livros, Polisário e Memória da Terra Esquecida, o seu romance Coca-Cola Killer e Toda a Música Que Eu Conheço, uma obra em dois volumes.

BÁRBARA TINOCO

Nasceu em Lisboa em 1998. Em 2018 deu que falar pela sua passagem, ainda que breve, pela fase de casting do programa The Voice Portugal, onde, embora não tendo sido selecionada, teve a oportunidade de apresentar um tema original — Antes Dela Dizer Que Sim —, que lançou em 2019 como single de estreia. Vencedora de um Prémio Play (Artista Revelação) e de um Globo de Ouro (Melhor Intérprete), tem já dois álbuns editados, Bárbara (2021) e Bichinho (2023), e atuou em algumas das maiores salas do país, estando marcada para 2024 a sua estreia na MEO Arena.

CAMANÉ

Viu o seu nome reconhecido em Portugal, em 1979, ano em que venceu a “Grande Noite do Fado”. Este seria o primeiro passo para uma carreira de sucesso, aclamada pela crítica. A par das suas inúmeras atuações em casas de fado em Portugal, apresentou-se em digressão em vários países europeus, na Turquia, Estados Unidos, Canadá e México. Fez também parte do elenco de vários espetáculos musicais e lançou treze álbuns que venderam milhões de cópias e foram lançados um pouco por toda a Europa.

CARLOS AREIA

Nasceu a 31 de dezembro de 1943 em Lisboa. Iniciou a carreira no teatro amador, tendo-se estreado no teatro profissional em 1981, com a revista Chá e Porradas, em cena no Teatro ABC. Durante cerca de 10 anos, atuou no Parque Mayer, tendo também passado pelo Teatro Variedades e Teatro Maria Vitória. Teve alguns papéis no cinema, mas foi na televisão que se tornou um rosto reconhecido pelos portugueses, tendo participado em mais de 50 programas dos mais diversos tipos. Entre eles contam-se êxitos icónicos como Malucos do Riso, Anjo Selvagem, Morangos com Açúcar ou Aqui Não Há Quem Viva.

CARLOS QUINTAS

Nasceu a 9 de abril de 1951 em Faro. Iniciou a carreira como ator amador aos 13 anos e, em 1971, integrou o elenco do Teatro Avenida, em Luanda, Angola. Profissionalizou-se no teatro em 1975, ao lado de Laura Alves, e desde então participou em mais de 50 peças, dos mais diferentes estilos, bem como em diversos programas de televisão e filmes. É de destacar o seu trabalho no teatro musical, nomeadamente em produções como Godspell, Annie, A Severa e Amália. É, também, um premiado artista musical, tendo vencido por duas vezes o Festival da Canção de Luanda, em 1971 e 1973, e sido coautor da música Dai-Li-Dou, que, em 1978, interpretada pelos Gemini, venceu o Festival RTP da Canção.

CATARINA FURTADO

É, há três décadas, um dos rostos mais acarinhados da televisão em Portugal. Está no canal público desde 2002, onde apresenta com regularidade concursos, galas e festivais. Tem formação em dança clássica pelo Conservatório Nacional de Lisboa e fez o curso de jornalismo do CENJOR. Ao longo da sua carreira tem abraçado diversos projetos como atriz, no teatro, no cinema e na televisão. É autora de contos infantis e letras de canções. Desde 2000 exerce a função de Embaixadora da Boa Vontade do Fundo da ONU para Atividades Populacionais. É fundadora e presidente da Associação Corações com Coroa.

FERNANDO MENDES

Seguiu desde cedo as pisadas do pai, Vítor Mendes, e, aos 17 anos, após o sucesso na estreia de Reviravolta, decidiu abraçar o teatro de revista. Em 1994, estreou-se na televisão, na RTP. Veria o seu talento para a comédia ser consagrado a nível nacional ao participar nas sitcoms Nico d’Obra, com Nicolau Breyner, e Nós os Ricos, com Rosa do Canto. Participou também em várias novelas até 2003, ano em que tomou as rédeas daquele que é um dos programas de maior longevidade da televisão portuguesa, O Preço Certo. Líder de audiências no horário de final de tarde, tem vindo ao longo dos mais de 20 anos de emissão a ser imensamente acarinhado pelo público, um reconhecimento que se estendeu para lá dos ecrãs televisivos. Em 2022, recebeu a Medalha Municipal de Mérito Cultural da Câmara Municipal de Lisboa.

FERNANDO SANTOS / DEBORAH KRISTAL

Nascido na Mouraria, trabalhou numa loja de roupa e numa florista na Avenida de Roma antes de descobrir, aos 18 anos, que era a vida artística que queria e ter fugido de casa. Correu o país a fazer espetáculos de travesti. Aí saboreou os aplausos, mas conheceu também a discriminação. Protagonizou o filme Morrer como um Homem, que lhe valeu o Globo de Ouro de “Melhor Ator”, em 2009. Atualmente é diretor artístico dos espetáculos do Finalmente Club, em Lisboa, onde atua com a sua personagem Deborah Kristal.

FILIPE LA FÉRIA

Iniciou a sua atividade teatral em 1963, como ator, no Teatro Nacional D. Maria II, com Amélia Rey Colaço. Pertenceu às companhias do Teatro Estúdio de Lisboa, do Teatro Experimental de Cascais e do Teatro da Cornucópia. Foi diretor, durante 16 anos, do Teatro da Casa da Comédia. Em 1990 escreve e encena What Happened to Madalena Iglésias e aceita o convite para ser autor, encenador e cenógrafo de Passa por Mim no Rossio, no Teatro Nacional D. Maria II, onde encena, posteriormente, As Fúrias, de Agustina Bessa-Luís. Estudou encenação em Londres e foi professor na Universidade Independente durante mais de uma década, onde foi regente da cadeira de Arte e Imagem. Foi premiado várias vezes pela crítica, Casa da Imprensa, Secretaria de Estado da Cultura e vários órgãos de comunicação social como autor, encenador e cenógrafo.

HELENA ISABEL

Nasceu em Lisboa em 1952. Estreou-se profissionalmente como atriz em 1969, no Teatro Variedades. Seguiu-se uma longa carreira no teatro, a sua grande paixão, mas foi também trabalhando regularmente no cinema e na televisão, onde participou em projetos pioneiros, como a primeira telenovela gravada em Portugal, Vila Faia, ou o programa que viria revolucionar o humor em Portugal, O Tal Canal, de Herman José.

HERMAN JOSÉ

Nasceu em Lisboa em 1954. Ator multifacetado e contador de estórias, ocupa um lugar ímpar no universo artístico nacional. A sua expressão artística resulta da fusão de várias artes: escrita humorística, atuação e interpretação musical. Será, porventura, esta mistura explosiva que faz com que os seus produtos artísticos se adaptem a todos os extratos socioculturais e que resultem em todos os palcos, dos mais populares aos mais eruditos. Foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem de Mérito Cultural pelo Presidente da República Mário Soares e com o de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa. Em 2024 comemora 50 anos de uma carreira profícua e reconhecida por todos os portugueses.

ISABEL SILVESTRE

Co-fundou, em 1978, o Grupo Etnográfico de Cantares e Trajes de Manhouce, com o qual gravou alguns discos. Mais tarde é convidada por Rão Kyao para o acompanhar em concertos na Alemanha, EUA e Canadá, mas não seria até 1992, ano em que participou na música dos GNR Pronúncia do Norte, que se tornaria conhecida do grande público. Em 1996 lança o seu primeiro álbum a solo, produzido por João Gil. Composto de várias canções populares, reflete a sua simplicidade, naturalidade e força expressiva. Colaborou, ao lado de nomes como Sérgio Godinho, Mão Morta, Madredeus e Delfins, no disco de homenagem a António Variações, As Canções de António. Em 2010 lançou o livro Memória de um Povo.

JOANA CARNEIRO

Nascida em Lisboa, formou-se em Direção de Orquestra na Academia Nacional Superior de Orquestra. Concluiu o seu Mestrado em Direção de Orquestra pela Universidade de Northwestern e prosseguiu os estudos de Doutoramento na Universidade de Michigan. Foi nomeada Diretora da Orquestra Sinfónica de Berkeley e dirigiu orquestras no Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Suécia e Espanha, entre outras. É maestrina convidada da Orquestra Gulbenkian e titular da Orquestra Sinfónica Portuguesa. Foi agraciada com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique, pelo Presidente da República Jorge Sampaio.

JOÃO BAIÃO

Nasceu em Lisboa, onde fez teatro amador enquanto frequentava os escuteiros. Começou, contudo, a sua carreira como ator dramático. No teatro interpretou peças de autores como Bertolt Brecht, Shakespeare e Anton Tchekov. Na televisão participou na versão televisiva de A Relíquia (1987) e nas séries Cobardias (1988), Ricardina e Marta (1989), emitidas pela RTP. Mas seria com Big Show Sic, um dos programas de maior audiência nos anos 90, que se tornaria uma figura popular da televisão portuguesa. Fez também sucesso em vários espetáculos de Filipe La Féria no Teatro Politeama, como Maldita Cocaína. Tinha, aliás, já colaborado com La Féria em duas produções icónicas da RTP, Grande Noite (1992-3) e Cabaret (1994). Nos últimos anos tem-se dedicado sobretudo à apresentação de programas, como Portugal no Coração e Casa Feliz. Paralelamente, tem feito algumas dobragens, sendo a mais marcante a voz que emprestou a Mike Wazowski, personagem do filme Monstros e Companhia.

JOÃO BOTELHO

Nasceu a 11 de maio de 1949 em Lamego. Estudou Cinema no Conservatório Nacional e Engenharia Mecânica na Faculdade de Engenharia da Universidade de Coimbra. Esteve envolvido na Crise Estudantil de 1969 e levou a cabo uma atividade política relevante. Além de cineasta, foi crítico de cinema e fundador da revista M. Com uma filmografia diversificada – entre longas-metragens de ficção e documentários, já realizou 34 filmes -, dirigiu filmes como Os Maias e Peregrinação. Em 2005, foi condecorado com a Ordem do Infante D. Henrique.

JOÃO LAGARTO

Iniciou a sua carreira como ator em 1974 e estreou-se no cinema quatro anos depois no filme Histórias Selvagens, de António Campos. Desde então tem vindo a trabalhar com inúmeros realizadores, desde Luís Rocha a João Botelho, entre outros. Em televisão integrou o elenco de algumas novelas e de várias séries, tendo chegado também a apresentar dois programas na RTP. A par do seu trabalho como ator, encenador e tradutor em mais de 90 peças de teatro, fez parte da equipa que lançou o Chapitô e leciona no Instituto de Formação, Investigação e Criação Teatral (IFICT) e na Universidade de Évora. O seu inegável talento valeu-lhe algumas distinções, de que se destaca o Prémio da Crítica para “Melhor Espetáculo” e o Globo de Ouro para “Melhor Ator de Teatro”, em 2006, ambos pela sua atuação em Começar a Acabar, de Samuel Beckett. Em 2010 a Sociedade Portuguesa de Autores atribuiu-lhe um prémio pelo seu papel no filme 4 de Copas de Manuel Mozos.

JOÃO MOTA

Nasceu em Tomar e, nos anos de 1950, começou a fazer teatro nos programas infantis da Emissora Nacional. Em 1956 ingressa na Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro, no Teatro Nacional. Nas décadas de 60 e 70, participou em filmes de Augusto Fraga, Jorge Brum do Canto, António de Macedo e Fernando Matos Silva. A partir de 1971 dedicou-se por completo à atividade teatral, tendo fundado o grupo Os Bonecreiros, no qual se estreou como encenador. Em 1972 fundou A Comuna – Teatro de Pesquisa, que ainda dirige, uma companhia independente que tem marcado a paisagem teatral portuguesa. Foi professor e presidente da Escola Superior de Teatro e Cinema durante 30 anos. Foi duas vezes agraciado com comendas de mérito artístico.

JOAQUIM DE ALMEIDA

Iniciou os seus estudos de teatro no Conservatório Nacional de Lisboa, que teve de continuar na Áustria devido ao encerramento daquela instituição de ensino depois do 25 de Abril. Após alguns anos e com o objetivo de se lançar no estrangeiro, decide rumar aos EUA, onde frequentou o prestigiado Lee Strasberg Theatre and Film Institute. Seguiram-se tempos difíceis até conseguir o seu primeiro papel, na figuração, no filme O Soldado (1982). Mas, um ano mais tarde, integra o elenco de O Cônsul Honorário (1983), no qual contracena com Michael Caine e Richard Gere. Após alguns trabalhos em França e Itália, incluindo a coprodução ítalo-americana Bom dia, Babilónia (1987), voltou a Portugal para participar em Amor e Dedinhos do Pé (1991). Integrou vários títulos bem-sucedidos de Hollywood, como Desperado (1995), no qual interpreta um vilão ao lado de António Banderas, assim como vários êxitos do cinema nacional e premiadas séries televisivas internacionais, nomeadamente The West Wing e 24.

JOSÉ FANHA

Nasceu em Lisboa. Licenciado em Arquitetura, tornou-se conhecido pelo seu trabalho como poeta e declamador, tendo já participado em milhares de sessões de animação cultural, sozinho ou a acompanhar o grupo dos chamados Badaleiros, em que participavam, entre outros, Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Francisco Fanhais, Manuel Freire e Fausto. É autor de histórias e poesia infantil, e escreve ainda peças de teatro, letras para canções e textos para rádio. É dramaturgo e dramaturgista, e guionista de séries e novelas para televisão e de cinema. Tem dirigido várias oficinas de poesia e escrita, além de ter vindo a desenvolver um intenso trabalho ao nível da divulgação da poesia e promoção do livro e da leitura em bibliotecas e escolas um pouco por todo o país.

JOSÉ PEDRO GOMES

Deu os primeiros passos na arte da representação aos 18 anos, em França, onde integrou diversos grupos de teatro amador em Paris. Em 1976, ao regressar a Portugal, torna-se ator profissional, fazendo parte de peças levadas à cena por diversas companhias. Passaria depois a integrar o elenco da Comuna, onde se manteve até 1986. Entretanto, é galardoado com o Prémio de Melhor Ator Secundário pela sua interpretação em Amadis. O início da década de 90 marcaria a sua estreia em televisão, pela mão de Herman José, ao integrar a série Casino Royale (1990). Em 1992 trabalha pela primeira vez com António Feio, com quem viria a formar uma das duplas mais acarinhadas da cena cultural portuguesa e com quem percorreu o país com o espetáculo de sucesso Conversa da Treta, entre 1997 e 1998. Participou também em algumas novelas e apresentou programas na televisão. A par disso, é autor e apresentador da crónica Os Cromos TSF.

JOSÉ RAPOSO

Nasceu a 3 de fevereiro de 1963 em Angola, onde viveu até aos 13 anos. Vem para Lisboa, onde se inicia, em 1981, no teatro infantil, pela mão de Francisco Nicholson. Participou ao longo da sua carreira em mais de 40 peças, como O Processo de Jesus, no Teatro da Trindade, O Último dos Marialvas, na Casa da Comédia, entre outros. Fez teatro de revista nos palcos do Teatro Maria Vitória, Teatro Variedades, Teatro ABC, entre outros. Criou com a ex-mulher, Maria João Abreu, a produtora A Toca dos Raposos, em 1998, onde produziu inúmeros espectáculos musicais e de revista à portuguesa. Presença habitual na televisão, integrou o elenco de 15 novelas, 20 séries e telefilmes, e vários programas de entretenimento e musicais. Ganhou, em 2009, o Globo de Ouro e o Prémio Nacional de Teatro Bernardo Santareno para “Melhor Ator de Teatro” pelo seu papel no musical Um Violino no Telhado.

JÚLIO ISIDRO

Nascido em Lisboa, entrou pela primeira vez num estúdio de televisão aos doze anos. Mas não seria até ao final da década de 50, quando se candidata à Radiotelevisão Portuguesa e é selecionado para apresentar um programa juvenil, que voltaria a estar dentro da caixinha mágica. É, desde então, presença assídua nos ecrãs dos portugueses, passando dos noticiários do Rádio Clube Português para a apresentação, e autoria, de vários programas de sucesso, alguns dos quais fazem parte do imaginário nacional, como é o caso de Fungagá da Bicharada. Seguiram-se outros êxitos, como O Passeio dos Alegres e O Clube Amigos Disney. Continua ainda hoje a apresentar programas de grande audiência que viram nascer vários artistas relevantes no panorama nacional. É também autor de várias obras de literatura infantil. Foi agraciado com duas condecorações de mérito cultural.

LUÍS DE MATOS

Soube desde cedo que o seu futuro passaria pela magia, tendo protagonizado o seu primeiro truque com apenas 11 anos. Seria também o artista mais jovem até hoje a ser distinguido com o The Devant Award, considerado um dos mais relevantes troféus na área da magia. Este seria o corolário de um longo percurso, que teve início em 1990, no Natal dos Hospitais. Seguiu-se uma carreira em televisão onde apresentou vários programas em nome próprio, entre os quais, Ilusões com Luís de Matos, na RTP, a que somaria atuações noutros canais de televisão um pouco por todo o mundo. O reconhecimento por parte da comunidade internacional viria com o truque “Atravessando um Espelho”, uma invenção original sua, que apresentou tanto em televisão, como em diversos eventos e espectáculos originais.

MANUELA MARIA

Nasceu em Lisboa em 1935. Estreou-se no teatro com uns singelos quatro anos, na peça Inês de Castro, e com apenas oito assumiu o papel principal na peça O Gaiato de Lisboa. Até aos 21 anos percorreu o país com todo o género de peças, até que, em 1957, é convidada a ir para Lisboa. Aí estreia-se, em 1958, no teatro de revista, com Vamos à Lua. Seria, contudo, à comédia que dedicaria a sua prolífica carreira. Entre as muitas peças em que entrou destacam-se A Lição da Sorte (1962) e A Raínha do Ferro-Velho (1996). Viria a trabalhar com Ribeirinho e sob a direção de Armando Cortez e Filipe La Féria, nos musicais Maldita Cocaína (2002) e My Fair Lady (2003). Teve também alguns papéis no cinema e, desde o início de 1990, tornar-se-ia presença assídua na televisão, tendo integrado o elenco de inúmeras novelas e séries, como, mais recentemente, Golpe de Sorte.

MARIA DO CÉU GUERRA

Nasceu em Lisboa onde frequentou o curso de Filologia Românica, na Faculdade de Letras. Aí começa a interessar-se por teatro, integrando, pouco tempo depois, o grupo fundador da Casa da Comédia. No início da década de 1970 passa pelo teatro de revista e pela comédia. Já em 1975, com o cenógrafo Mário Alberto, criou a companhia de teatro A Barraca, onde participou não só como atriz, mas também como figurinista e encenadora, em mais de 70 produções. A sua incursão pelo mundo do cinema valeu-lhe alguns galardões, nomeadamente o Prémio Sophia (2014) e o Globo de Ouro (2015), na categoria de “Melhor Atriz”, pela sua atuação em Os Gatos Não Têm Vertigens (2014). No pequeno ecrã, para além do teatro televisivo e de telefilmes, destacam-se trabalhos em várias sitcoms, séries televisivas e telenovelas.

MARIA RUEFF

Celebrizada pelos seus papéis humorísticos, esteve prestes a ingressar no curso de Direito antes de enveredar por uma carreira na área da representação. Após terminar o curso de Formação de Atores, na Escola Superior de Teatro e Cinema, estreou-se como profissional numa peça de Francisco Or’s, Quem muda a fralda à menina?, no Teatro Villaret. Em seguida, inicia, juntamente com João Baião, uma série de cafés-teatro na noite lisboeta, onde seria descoberta por Herman José. Por sua recomendação, participa na sitcom A Mulher do Senhor Ministro, onde, ao lado de Ana Bola, populariza aquela que viria a tornar-se a icónica doméstica Rosa Maria, a que se seguiram outras figuras bastante conhecidas do grande público, como Zé Manel Taxista, Rosete ou Idália. A longa colaboração com Herman José teve início com Herman Zap, a que se seguiram Herman Enciclopédia, Herman 99, HermanSIC e Hora H.

MARINA MOTA

Nasceu e cresceu no bairro de Alcântara, em Lisboa, e com apenas dez anos participou no primeiro Festival da Canção Infantil, organizado pela Casa da Imprensa. Sagrou-se vencedora e, como prémio, gravou um disco. A sua estreia como atriz dá-se no Teatro ABC com a revista Clarançada. Durante anos, além da presença diária em programas televisivos, participou em inúmeras peças de revista, onde, para além de atriz e cantora, desempenhou as funções de encenadora e coproductora. A sua voz inconfundível levou-a a participar no Festival RTP da Canção e a gravar álbuns de fado. Foi um dos rostos mais emblemáticos da SIC, entre 1993 e 1999, onde protagonizou diversas séries de humor, como Oro Bolas, Marmita de Um Sarilho Chamado Marina. Em 2011, a convite de Miguel Falabella participa na novela Aquele Beijo, transmitida pela TV Globo. Considerada um dos maiores nomes da representação e do humor em Portugal, recebeu em 2022 da Câmara Municipal de Lisboa a Medalha Municipal de Mérito Cultural.

MIGUEL SEABRA

Nasceu em Lisboa em 1965. É licenciado em Teatro pela Escola Superior de Teatro e Cinema – Curso de Formação de Atores. Em 1992 fundou o Teatro Meridional (TM), companhia que codirige e que tem marcado o seu percurso artístico como ator, encenador, designer de luz, produtor e formador. Está diretamente ligado a todas as distinções recebidas pelo TM, das quais se destaca o Prémio Europa de Teatro – Novas Realidades Teatrais 2010, que visa reconhecer o percurso artístico da Companhia. É pai da Laura (2005), da Vera (2008) e da Maria (2010).

MÓNICA CALLE

Fundadora da companhia de teatro Casa Conveniente, em 1992, tem vindo a desenvolver desde 2007 ações de formação, workshops, ensaios, performances e espetáculos de teatro orientados para atores e não-atores, destacando-se entre estes últimos o projeto que tem levado a cabo no Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus. Ao longo da sua carreira de 30 anos, foi reconhecida com vários prémios na qualidade de atriz e de encenadora, nas áreas do teatro e do cinema. Em 2010 integrou o elenco de O Filme do Desassossego, de João Botelho, e, em 2011, a curta-metragem A Divisão Social do Trabalho Segundo Adam Smith, realizada por Fátima Ribeiro. Em 2015, entrou no filme Cinzento e Negro de Luís Filipe Rocha e, em 2017, estreou-se no Teatro Nacional D. Maria II com a peça Ensaio para uma Cartografia. No mesmo ano regressou à televisão para integrar o elenco da telenovela Paixão, na SIC.

PEDRO PENIM

Nasceu em Lisboa em 1975. Encenador, ator e dramaturgo, licenciou-se em Teatro pela Escola Superior de Teatro e Cinema e tirou um mestrado em Gestão Cultural pelo ISCTE. Rosto regular da televisão portuguesa entre 1997 e 2000, altura em que apresentou o programa Clube Disney, viria a desenvolver um notável trabalho no meio teatral, primeiro com o Teatro Praga (1995), companhia da qual é membro fundador e com a qual já recebeu diversos prémios na área do teatro, e, mais tarde, com a fundação do projecto Rua das Gaivotas 6, em 2013, que acolhe em Lisboa criações de novos artistas. O seu trabalho criativo e a sua dedicação ao teatro têm sido reconhecidos com vários galardões. É, desde 2021, diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II.

RITA RIBEIRO

Nasceu a 16 de abril de 1955, em Lisboa, e tem uma longa e distinta carreira na área da atuação e da música. Em 1974 participou no Festival RTP da Canção, com os Green Windows, e, um ano mais tarde estreou-se no teatro, na peça Godspell. Em 1977 formou as Cocktail, projeto onde se manteve até 1979. Em 1989 recebeu o Prémio Lucília Simões, atribuído pela Câmara Municipal de Lisboa, graças à participação no espetáculo What Happened to Madalena Iglésias. Tem trabalhado em teatro, cinema e televisão, integrando vários projetos televisivos para a RTP, SIC e TVI, com colaboração em diversos programas musicais, séries e mais de quinze telenovelas.

RUI MENDES

Nasceu a 19 de julho de 1937 em Coimbra. Estudante de arquitetura, na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, tornou-se ator profissional em 1956 ao integrar a peça A Ilha do Tesouro, levada à cena pela Companhia Teatro de Gerifalto. Após ter abandonado o curso e ter estado mobilizado na guerra colonial, em Angola, iniciou uma intensa carreira como ator, atuando para diferentes companhias e trabalhando com diversos encenadores. Desde 1975 que se dedica também à encenação, tendo assinado, entre outros trabalhos, Três Irmãs (1988) e Tio Vânia (1998), ambos de Tchekov. No cinema surgiu em cerca de 20 filmes, mas seria a televisão que o iria tornar conhecido do grande público, tendo sido presença assídua, ao longo de mais de 40 anos, em diversas novelas, telefilmes e séries. Seria exatamente a sua personagem Duarte, da série homónima Duarte & C.ª, que o tornaria uma figura incontornável da história da televisão em Portugal.

RUI VELOSO

Lançou, aos 23 anos, o álbum Ar de Rock, do qual constava a faixa Chico Fininho. Com letra de Carlos Tê, tornar-se-ia uma das suas músicas icónicas. Entre os seus maiores êxitos encontram-se também Porto Sentido, Não Há Estrelas No Céu, Sei de Cor ou Porto Côvo. Com uma carreira de mais de quatro décadas e assumindo-se como uma grande referência do cancioneiro português, soma inúmeros espetáculos e atuações por várias salas e Coliseus de Lisboa e do Porto. Tem como a MEO Arena, e colaborações. Em 1990 formou, por várias vezes, Grande, um projeto formado por Tim, João Gil, Jorge Palma e Vitorino, que, num estilo de música popular com influências alentejanas, alcançou uma considerável popularidade.

RUY DE CARVALHO

Tornou-se, em 2024, o ator há mais anos no ativo, não só em Portugal, mas no mundo inteiro. Frequentou, de 1945 a 1950, o Conservatório Nacional. Estreou-se profissionalmente em 1947, no Teatro Nacional, na peça Rapazes de Hoje, de Roger Ferdinand. Ao longo do seu vasto percurso fez parte de várias companhias e interpretou autores como Molière, Tennessee Williams, George Bernard Shaw, Anton Tchekhov e Eça de Queiroz. A sua atividade estende-se também à rádio, ao cinema e à televisão, onde participou em inúmeras séries e telenovelas. Durante os seus mais de 80 anos de carreira recebeu variadíssimos prémios e condecorações, como o Prémio Garrett da Secretaria de Estado da Cultura (1998), o Globo de Ouro para a Personalidade do Ano (2023), o Prémio Sophia (2017) e o Prémio Luís de Camões atribuído pela Universidade Lusíada de Lisboa.

SÉRGIO GODINHO

Deixou a licenciatura em Economia para se aventurar pelo estrangeiro. Em França, já depois do Maio de 68, integra a produção do musical Hair. É também na capital francesa que priva com outros músicos portugueses, como Luís Cília e José Mário Branco, com quem colaborar antes de lançar o seu EP de estreia Romance de Um Dia na Estrada, a que se segue o seu primeiro LP, Os Sobreviventes. Aos inúmeros títulos que marcaram o seu percurso discográfico, como Um Brilhozinho nos Olhos, Com um Brilhozinho nos Olhos, Sangue Por Um Fio (poesia), Coração Mais Que Perfeito e Pré-Histórias (romances), Quarenta Canções (crónicas), VidaDupla (contos) e Estocolmo (romances). Lançou ainda recentemente uma versão revista e atualizada do seu songbook, 75 Canções, que reúne partituras, letras e cifras.

SIMONE DE OLIVEIRA

Estreou-se, em 1958, no Primeiro Festival da Canção Portuguesa. Em 1961, venceu o Festival da Canção da Figueira da Foz, com o tema Ontem e Hoje. Em 1965, venceu o Festival RTP da Canção com o tema Sol de Inverno. Voltou a vencer o Festival em 1969, com o maior êxito da sua carreira, Desfolhada Portuguesa, da autoria de José Carlos Ary dos Santos e de Nuno Nazareth Fernandes. Seguiram-se muitos outros êxitos e participações em eventos nacionais e internacionais. Trabalhou como apresentadora e atriz, fez rádio, cinema, televisão e teatro. Em 2022 assinalou o término da carreira artística com um concerto no Coliseu dos Recreios. Recebeu vários prémios e condecorações, como o Globo de Ouro de Mérito e Excelência (2011) e a Grã-Cruz da Ordem do Mérito (2022).

VASCO WELLENKAMP

Com uma trajetória marcante enquanto bailarino e coreógrafo, iniciou os estudos de bailado em 1961, com Margarida de Abreu e Fernando Lima, no Grupo Verde Gaio. Em 1968, ingressou no Ballet Gulbenkian. Entre 1973 e 1975, foi bolseiro do Ministério da Educação em Nova Iorque, onde se formou em dança contemporânea, na Escola de Dança Contemporânea de Martha Graham. Enquanto coreógrafo, tem sido regularmente convidado por companhias internacionais, como o Ballet do Teatro Municipal de São Paulo, o Ballet Contemporâneo do Teatro San Martin e o Ballet du Grand Théâtre de Génève. Fundou, com Graça Barroso, a Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo e recebeu a Medalha Municipal de Mérito Cultural da Câmara Municipal de Lisboa. Foi-lhe atribuída, em 1993, a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique pela promoção e expansão da cultura portuguesa.

VICTOR ESPADINHA

Iniciou a vida artística em Lourenço Marques, actual Maputo, no Teatro Avenida. Trabalhou e estudou teatro na Zâmbia e em Londres. Em 1966, estreou-se no Teatro Villaret, em Deliciosamente Louca, ao lado de nomes como Eunice Muñoz e Ruy de Carvalho. Foi o primeiro DJ português e um dos principais intérpretes dos Parodiantes de Lisboa. Em 1974, no Teatro Capitólio, protagonizou o grande sucesso teatral Mostra-me a tua Piscina. Na RTP, apresentou o programa Para Variar, onde imortalizou a frase “Roda o palco!”. Na SIC, integrou elencos de programas como Malucos do Riso ou A Família Mata. Entre 1987 e 1992 protagonizou vários musicais no Casino de Lisboa. Como músico, destaque para singles como Recordar é Viver (1978) ou o álbum Vivo como Nunca (2021), este último lançado por ocasião da comemoração dos seus 60 anos de carreira.

VICTOR HUGO CARDINALI

Com uma infância marcada pela itinerância, este artista e empresário circense pertence a uma das mais antigas famílias de circo em Portugal, numa história que remonta ao século XIX. Começou a trabalhar aos 9 anos, mostrando habilidades em bicicletas e monociclos. Aos 24 estreou-se como domador de leões, atividade que manteve até muito recentemente, 2019. Quando viu a forma como se fazia circo em Itália, sonhou fazer o mesmo em Portugal. O sonho tornou-se real, sendo hoje, ao fim de mais de 50 anos, uma das maiores referências nesta área.

ZECA MEDEIROS

Nascido em Vila Franca do Campo, na Ilha de São Miguel, nos Açores, é conhecido pelo seu trabalho enquanto músico, compositor, ator, encenador e realizador. Entre as suas obras mais emblemáticas contam-se algumas das séries mais memoráveis da televisão portuguesa, Mau Tempo no Canal, baseado no romance de Vitorino Nemésio, Xailes Negros e Gente Feliz com Lágrimas, que realizou e para as quais compôs as respetivas bandas sonoras. A sua discografia é bastante vasta. Entre singles, bandas sonoras e colaborações, destacam-se os seus álbuns, em particular, Torna-Viagem, que lhe valeu em 2005 o Prémio José Afonso, atribuído pela Câmara Municipal da Amadora.